Escolas, moradias e hospitais mostram o potencial da construção industrializada

Experiências do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação do Ministério da Educação e Cultura (FNDE/MEC), Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) e Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo mostraram, no primeiro dia do Modern Construction Show, como a construção industrializada pode reduzir prazos e ampliar a escala de obras públicas. Entre os casos apresentados estão um programa do FNDE que prevê 10 mil escolas, o Casa Paulista, com 15 mil moradias, e uma enfermaria modular de 100 leitos construída em apenas 33 dias durante a pandemia.

Segundo Marcos Monteiro, secretário Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo, os exemplos demonstram a possibilidade de aplicar a industrialização em diferentes tipos de obras públicas e enfrentar desafios relacionados aos prazos de execução.

Marcio Augusto Buzar, diretor de Gestão, Articulação e Projetos Educacionais do FNDE, destacou o programa de infraestrutura escolar do FNDE, que prevê 10 mil escolas e creches, incluindo unidades indígenas e ribeirinhas. Desde janeiro de 2023, cerca de 3 mil unidades foram entregues. Integra, ainda, o programa de repactuação de 3.784 obras abandonadas, das quais 2.600 foram repactuadas e 976 foram entregues.

Já Maria Teresa Diniz, diretora de Projetos e Programas da CDHU, apresentou o Casa Paulista, que reúne R$ 2,85 bilhões em recursos para 15 mil moradias, além de aproximadamente 100 mil m² de edifícios de uso institucional e público. O primeiro pacote, com 959 unidades, está em fase de contratação definitiva e prioriza métodos construtivos rápidos e industrializados.

Na área da saúde, Fernando Mariano, assessor técnico da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, apresentou a construção de uma enfermaria permanente de 100 leitos no Hospital Municipal M’Boi Mirim, em São Paulo. Produzida em sistema modular off-site em Tubarão (SC), a estrutura de 1.388 m² foi concluída em 33 dias, com investimento de R$ 3,5 milhões.

Reforma tributária exige planejamento das empresas da construção industrializada

A reforma tributária deverá provocar mudanças relevantes na estrutura de custos e nas decisões operacionais das empresas da construção civil, exigindo atenção para questões como alíquotas, créditos tributários, contratos, formação de preços e modelos de operação. Embora a transição se estenda até 2033, advogados participantes do painel “Os Caminhos da Construção Industrializada sob a Ótica da Reforma Tributária e do Fomento Nacional”, durante o Modern Construction Show 2026, alertam que as empresas precisam começar a avaliar os impactos sobre seus negócios e adaptar sistemas e processos.

Segundo Victoria Slaviero, advogada do escritório Trombini, Slavieiro, Mombelli, considerando a alíquota de referência do IBS e da CBS e os redutores previstos para a execução de obras com prestação de serviços, a tributação estimada pode chegar a 13,96%. Outro aspecto relevante é a substituição da tributação de ICMS e ISS pelo IBS, mudança que, segundo ela, interfere diretamente na estrutura das operações.

Para Isabella Mombelli Mussnich, advogada especialista em Direito Tributário do mesmo escritório, a forma como as empresas estruturam suas operações também poderá influenciar a tributação. “Quando a empresa incorpora uma prestação de serviço à operação, a redução da alíquota pode ser maior. Por isso, a reforma tributária passa a ter caráter estratégico para as empresas”, afirma.

Na construção industrializada, há uma particularidade relacionada à fabricação e à montagem. “Se a fábrica fornece o produto e também realiza a montagem, a operação pode contar com redução de 50% da alíquota. Se uma empresa fabrica e fornece e outra executa a montagem, a tributação pode ser integral. Esse é um dilema para o setor e há entidades mobilizadas para buscar ajustes”, explica Pedro Anan Junior, professor, advogado tributarista e sócio do Anan Advogados.

Essa diferença poderá influenciar decisões sobre o próprio modelo de negócio. As empresas precisarão avaliar, de acordo com critérios técnicos, econômicos e tributários, se determinadas atividades serão verticalizadas, terceirizadas ou realizadas por meio de uma combinação dos dois formatos. “Quem se antecipar, preparando sistemas, contratos e estrutura operacional, poderá sair na frente”, conclui Anan.

Case Outback: construção industrializada

Instalada na Avenida Heitor Penteado, na capital paulista, o Outback da rede Bold Hospitality Company, com 1.500 m², precisava ser construída em 160 dias. “O prazo foi mantido”, pontuou Cristian Freitas, gerente Senior de Desenvolvimento da holding. Iniciada em 10 de junho de 2025, o prédio foi entregue em 13 de novembro do mesmo ano. “Para isso, usamos um esqueleto em aço, com cobertura e vãos em madeira, concreto nas fundações e bases e estabilidade e sistemas leves de fechamento”.

Em projetos com a utilização de diversos sistemas construtivos é importante conhecer a especificidade de cada um para obter resultado atraente dentro do prazo definido pelo cliente. Reforçando o conceito, Alan Dias, sócio-diretor da Timbau Estruturas afirmou: “industrializar antes de construir é uma decisão de projeto e inovação está na interface, na coordenação e na montagem das estruturas.” A apresentação feita no Modern Construction Show contou ainda com a participação do arquiteto e designer Herbert Holdefer, da 134 Temática.

A arquiteta, urbanista e coordenadora da Comissão de Exercício Profissional do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), Renata Ballone, falou sobre o papel da construção a seco na qualidade de vida e na segurança dos edifícios.  Para ela, o foco da construção está em desempenho, segurança, normativas e salubridade, saúde metal e conforto térmico. “Entender a regra e o clima local é fundamental para evitar manifestações patológicas e/ou perda de eficiência do sistema construtivo, pois ignorar o bioclima pode levar à construção de um edifício doente”.

A programação ainda contemplou palestras sobre aços inteligentes, as vantagens de se utilizar a membrana Dripstop, a transformação do processo construtivo com o uso de BIM, fabricação, logística e montagem integrada, e os benefícios da industrialização e da pré-fabricação.

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